TEMPO DE HISTÓRIAS

Houve dias em que Vladimir Kuzov parecia alguém capaz de se encontrar com as suas próprias divagações; como se estas ganhassem vida ou fossem uma criação do mundo imposta a ele. Num desses dias – cuja data é irrelevante – Vlad. K. encontrou um homem aprisionado no medo da morte. A irracionalidade deste receio, não lhe permitia o vislumbre da liberdade concebida pela causa inevitável de se estar vivo, ou talvez até: de exisitir.

A existência é vã para quem não a aprecia e dolorosa para quem não a deseja. Certamente, o existencialismo em si pode ser complicado e ao mesmo tempo, bastante atractivo. É uma nascente eterna que jorra conteúdos para o pensamento; evitados pelos que futilizam a existência e apreendidos – em demasia – por quem não deseja a existência.

Vladimir Kuzov moderava-se o quanto podia nestas andanças capazes de incendiar o raciocínio daqueles que têm o atrevimento de se questionar acerca da vida e da morte. O mesmo não acontecia com o homenzinho velho de seu nome Ivan. O medo toldava-o e impedia-o de viver com o discernimento desejável para quem quer viver. Ivan tinha comprado vários caixões durante a sua vida, esperava que algum o ajudasse a enfrentar a realidade de que um dia morreria.

O seu plano era estar próximo da morte, para a enfrentar. De facto, a sua condição humana deixava-o, a cada dia que passava, mais próximo da morte. No entanto, não era o tipo de proximidade que ele desejava, porque cada vez sentia mais medo e os caixões que comprou, não o ajudavam a superar esta agonia invocada pelo temor. Estava por demais evidente: os caixões são para confortar os mortos e não os vivos.                

Vladimir Kuzov apercebeu-se do erro de Ivan. Ele deixou-se consumir pelo medo porque o seu pensamento estava mórbido. Nunca se apercebeu do limiar existente entre a vida e a morte e que basta um pequeno passo para o lado, para que em vez de se pensar no fim da nossa existência, possamos pensar em valorizar tudo aquilo que antecede esse fim. Se fosse traduzido em matemática, daria um cálculo simples: entre viver e morrer, devemos dar mais importância à vida, tentando, por entre toda a nossa significância ou irrelevância, contribuir tanto o quanto possível para que a vida de todos seja melhor.

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