Se Nevasse no Deserto

As construções produzem sons, que não deverão ser considerados uma linguagem. Por muito que se tente traduzir os sons das construções, através deles não surgem indícios acerca do que se está a contruir. Já um coleccionador de pedras constrói em silêncio. Das suas amostras, começa a nascer um caminho, cujo destino nem ele sabe. Fabrica o que pode com as pedras que apanha, sem nenhuma razão maior para o fazer. Fá-lo porque pode e porque assim encontra uma razão para aquilo que colecciona.

Enquanto os caminhos inúteis vão crescendo rumo a uma incógnita, há quem estude a fundo certas questões e tente encontrar significados para os pesadelos dos electrões e se a nível subatómico, os protões e os neutrões possam ser afectados por isso. Um fenómeno transversal à espécie humana, para perceber de que forma as pessoas se podem sentir afectadas por algo inventado e que influência o inexistente exerce sobre elas. Estas reviravoltas só são possíveis quando se distorce a matéria da ciência para um cenário de ilusão metafísica com uma qualidade que invoca suspeitas.

Seguindo este rumo de acontecimentos, começa a dar impressão que as discussões acerca das alterações climáticas pelos políticos são uma prioridade pouco maior que os átomos onde se podem encontrar os já famosos electrões. Há evidências que os países trocam correspondências entre si acerca do assunto. Normalmente, enviadas através de pombos-correios embriagados que voam a baixa altitude e percorrem uma distância usual que vai do local onde são largados até ao primeiro obstáculo. Brevemente, talvez possamos ouvir discursos, onde se manifeste o apoio e se deem votos de confiança a estes pássaros.

Até lá, certos grupos irão continuar a tentar persuadir o coleccionador de pedras a desistir do caminho e começar a tentar conceber uma torre, de modo que esta lhes permita empurrar o céu. Segundo eles, em muitas obras, encontram-se mensagens codificadas que não podem ser ignoradas e que todas apontam para a mesma conclusão: é só uma questão de tempo, até que o céu nos caia sobre a cabeça.

Por entre tamanha azáfama, muitos preferem apenas abster-se de tudo isto e inclusive de grande parte da realidade e seguir os conselhos dos vídeos de música comercial e sem conteúdo para serem felizes. Assim sendo, satisfazem a sua prioridade de ostentar o que não necessitam ou está acima das suas possibilidades. Por entre outras futilidades, falam acerca da sua compra mais recente, enquanto se vão cansando da mesma, porque se vai perdendo o efeito de novidade. Envaidecem-se superficialmente, através dos bens onde depositam as suas frustrações, por os mesmos não lhe trazerem a felicidade que parecia estar ali e que mais uma vez se escondeu e continua a não estar à venda.

O caminho das pedras continua a crescer e daquelas que sobram, algumas são atiradas ao ar. Enquanto uns são atingidos acidentalmente, outros colocam-se exactamente na rota descendente das pedras, uma e outra vez.

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