CASSANDRA

Cassandra era uma prostituta. Cassandra nunca usava cuecas. Assim sou mais eficiente no meu trabalho, dizia ela às outras prostitutas.

Depois de se ter engasgado a comer uma maça e quase morrer, decidiu nesse dia vestir cuecas. Agora penso de forma diferente, porque quase morri. Quero pensar mais; porque os mortos não pensam, só pensa quem tem vida. Ao dizer isto, foi para a biblioteca.

Afinal os mortos também deixam os seus pensamentos para os outros: o que é a biblioteca, senão algo parcialmente ocupado por pensamentos de indivíduos que já não existem ou das suas personagens: eis que lhe surgem páginas com Cândido e o seu optimismo ridículo.                

Cassandra queria existir. Iria começar a usar cuecas, como se usar cuecas determinasse a existência de alguém. Se quer ler um pensador, leve este livro, disse Dennis. É do Bertrand Russell.

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