MARY

Mary enviava as cartas com as ameaças de morte para reciclar. Papel é sempre papel, contendo ameaças de morte, mensagens enigmáticas, tratados de paz ou declarações de amor. O papel é frágil, destrói-se facilmente, no fogo o com as nossas próprias mãos. As mãos de uma criança, facilmente destruíam o tratado de paz mais importante do mundo.

É curioso, como as questões importantes são colocadas em pedaços frágeis, tão debilmente susceptíveis à destruição. Tão curto é o tamanho de uma folha ou do envelope que a embrulha, como o medo de Mary perante a morte.

Ninguém cede a ameaças de morte, ou as teme, ou se sente ameaçado. Mary sabia que ninguém a ameaçava de morte, era impossível, pelo menos enquanto ela não tivesse medo de morrer.

A vida é como o papel, facilmente se destrói, mesmo sendo o seu conteúdo, por vezes, importante.

Mary mostrou a Nikolai uma carta em que era ameaçada e este sentiu que tinha encarado a maldade nos olhos. A maldade personificara-se através do papel, que na sua fragilidade, perturba consciências.

Afinal, pensou Mary um dia, até os livros estão impressos em papel.

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