OLGA

Olga tinha muitos arrependimentos, oriundos de um passado que ela queria esquecer e não conseguia. Na sua solidão e desprezo pela vida social, costumava sentar-se no chão de uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Quase sempre estava bêbada e quando assim não era, estava a dormir.

A fortuna que adquiriu enquanto jovem mantinha-a como uma espécie embriagada independente. Aquela fortuna negra, obtida de forma obscura era a causa dos arrependimentos de Olga. Era um círculo perverso, em que ela tinha o que não devia, e que não queria dar a mais ninguém; porque a origem dos seus arrependimentos também financiavam o seu vício.

Uma noite, fria como ela própria, trouxe-lhe a alegria momentânea através da imaginação. Há muito que não se sentia tão bem, como naquele momento em que se imaginava numa taberna do século XVIII.

O passado parece sedutor, em parte, para quem tem arrependimentos profundos. Se o arrependimento matasse, muita justiça seria feita, concluiu Olga, enquanto respirava fundo, com a faca junto ao seu peito.

Era um derradeiro momento: só precisava de um pouco de coragem e jamais seria covarde. Acabar com a própria vida exige coragem, mas Piotr não o permitiu. Tirou a faca das mãos de Olga e disse-lhe que se ela se quisesse matar, para usar as suas próprias armas, porque aquela faca era sua e não de Olga.

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