RUSKIN

Ruskin era o chefe pasteleiro da pastelaria mais conceituada da cidade. Era o possuidor da capacidade de colocar imensa gente, diariamente, a lamber as pontas dos dedos, adoçando um pouco mais o paladar, com os restos de tais obras de arte gastronómicas. Ainda não há doces que adocem a alma de um homem, dizia ele aos seus ajudantes, mas nenhum chegará mais perto disso do que os nossos.

Certo dia, após o trabalho, vislumbrou uma mulher atraente, certamente, com idade próxima à dele. Perseguiu-a, discretamente, pela avenida. Esperou que ela saísse das lojas em que entrava. Sem sequer a ter abordado, já pensava, que estava no encalce de algo que lhe poderia adoçar a alma.

No dia seguinte, sabendo já onde ela morava, foi a casa dela. Bateu à porta e foi um homem quem abriu. Perguntou-lhe pela mulher, que se chamava Sissy, ao que o homem respondeu que era a sua esposa e que de momento não se encontrava em casa. Ruskin, desiludido, disse que trazia uns doces para ela, mas que os levaria, novamente, com ele. Despediu-se, deixando o homem confuso a olhar para ele, enquanto se afastava. Comeu os doces, pensando que não conseguindo adoçar a alma, mais valia adoçar o paladar. 

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