Tempo de Histórias

O homem aguardava próximo da passadeira, enquanto uma parafernália de carros circulava o mais rápido que conseguiam; todos eles participantes numa corrida cujos adversários são o tempo e o stress. Aquele aumento da pressão sanguínea, as alterações químicas no interior do corpo, as mensagens do hipotálamo e tudo o resto a funcionar como um rastilho curto, que assim que aceso, fará a bomba explodir.

O homem ia pensando, enquanto os carros continuavam a circular. A espontaneidade do pensamento assemelhava-se ao trânsito daquele momento: fluía rapidamente. Olhava em volta e vislumbravam-se nada mais que pequenas bombas inofensivas, sempre prontas a explodir pelo mais pequeno inconveniente. São bombas que buzinam antes de rebentar, como se o barulho lançasse a mensagem para o ar: o tempo é precioso para quem não o tem. É como os esfomeados que não possuem alimentos.

Assim que possível, o homem retomou o seu percurso, tranquilo e sem pressa; contrastando perfeitamente com o que costuma acontecer na cidade. Foi tentando decifrar a ordem das coisas, dos acontecimentos, da vida em sociedade, da gestão de uma cidade grande e até da mente humana. Estas reflexões são, provavelmente, quase inexistentes na impetuosa agitação urbana e só quem está ausente dessa agitação constante, tem capacidade para as realizar.

Foi fácil e quase natural questionar pontos fulcrais na tal ordem das coisas. Quase toda a envolvência da cidade estava repleta de burocracia: há leis a serem cumpridas, procedimentos a seguir, requisições, licenças, documentação e todas as conformidades que garantem o funcionamento dos serviços. A ordem, quase que se coloca lado a lado com o caos. O senhor ia mexendo a cabeça, sinalizando um sim – como quem concorda com o seu próprio pensamento – para a existência do caos. É exactamente isso que temos entre mãos, o caos.

O caos cimenta-se na ordem: o desenvolvimento fica diferente do expectável. Cada segundo a mais num atraso é a diminuição do tamanho do rastilho de todas as bombas que deambulam pela cidade. Muitas bombas inofensivas são capazes de provocar uma grande explosão. Nós somos a ordem e o caos. As diferenças residem nas nossas decisões, muitas vezes tomadas sem as condições necessárias para o discernimento exigível.   

Onde Está Vladimir Kuzov?

O ser que não o é, tem o costume de se perder. Encontrá-lo é um dilema perdido e parcialmente ausente da realidade; sendo, simultaneamente, bastante real.

A existência de Vladimir Kuzov torna-se inevitável, não só para quem o procura: qualquer um corre o risco de o encontrar nas paredes onde desabafam poetas desconhecidos, por entre multidões desconectadas, em escadarias sem propósito, debaixo da luz obtusa de um candeeiro isolado e nas atitudes inconcebíveis de um aventureiro que monta vacas, corre atrás de ovelhas e até se perde nas escadas do metro.

Vlad. K. desconfia da existência de tesouros e não foi de propósito que um dia roubou uma bicicleta. É certo que ele cantou sobre anarquia no Reino Unido enquanto caminhava por ruas italianas. Ele não se assusta com os olhares de terceiros; podem julgá-lo à vontade que ele continuará a sentar-se em frente a uma frase escrita em qualquer parede e será como se lá não estivesse.

O Vladimir Kuzov é um artista, despercebido e misterioso, no qual ninguém repara e de quem todos se desviam. Provavelmente, alguns de vós já o encontraram; caso nunca o tenham procurado.

Sigam o link para lerem acerca da demanda por Vladimir Kuzov e para mais fotos dos locais por onde ele passou: Onde Está Vladimir Kuzov?

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